Para curtir o Carnaval, é preciso mais do que a fantasia. Adotar alguns cuidados garante que a diversão não seja interrompida por problemas de saúde. Infecção intestinal, desidratação e ressaca podem atrapalhar o ritmo dos foliões. Para evitar essas situações, é preciso ter atenção redobrada à hidratação e à alimentação.
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Cuidar da hidratação e da alimentação garante que a folia de Carnaval não seja interrompida por problemas de saúde | Foto: Arquivo/Agência Saúde-DF
De acordo com o médico José Ramos, referência técnica distrital (RTD) de Saúde da Família e Comunidade, os atendimentos hospitalares mais frequentes durante o Carnaval estão relacionados a desidratação, exaustão térmica, intoxicação alcoólica e suas complicações – como hipoglicemia, vômitos e coma alcoólico –, e intoxicação por substâncias ilícitas. Do mesmo modo, acidentes, traumas e lesões, incluindo cortes, fraturas e torções, ocorrem frequentemente devido a quedas e brigas durante as festividades.
O profissional da Secretaria de Saúde (SES-DF) alerta para os sintomas que necessitam de auxílio médico: “Os sinais de alerta são: boca seca, tontura, fraqueza, diminuição da diurese [quantidade de urina eliminada em determinado período], letargia e confusão mental. Já para intoxicação por substâncias ilícitas, os indícios de perigo são sudorese intensa, aumento da temperatura corporal, agitação extrema ou comportamento violento”.
Em casos de maior gravidade, os hospitais regionais da SES-DF estarão de prontidão, além das 13 unidades de pronto atendimento (UPAs) distribuídas pelo Distrito Federal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também estará presente em pontos estratégicos, para agir de forma rápida e eficiente em casos graves – o serviço também pode ser acionado pelo número 192.
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Arte: Agência Saúde-DF
Alimentação segura
A nutricionista da SES-DF, Alana Siqueira, recomenda sair para a folia bem alimentado e ingerir comidas mais naturais. “Consuma refeições nutritivas e completas antes de sair de casa, com fontes de carboidrato, proteína e gorduras. Estar bem alimentado reduz os impactos da ressaca, pois oferece nutrientes que auxiliam o fígado na eliminação do álcool”, orienta.
Ela sugere opções mais saudáveis, que incluem açaí, espetinhos de carne, milho cozido, picolé de frutas, pipoca, tapioca ou uma refeição completa com arroz, feijão, carne e legumes. Lanches leves, como barras de cereais, castanhas e frutas secas, são boas alternativas para levar para a folia e evitar longos períodos sem se alimentar.
É importante se atentar para o consumo de alimentos vendidos na rua, que podem aumentar o risco de infecção intestinal. Para evitar problemas, escolha locais com boas condições de higiene e evite alimentos expostos ao sol ou sem refrigeração adequada. “Na maioria dos casos, a recuperação é rápida, mas se houver dificuldade para se hidratar ou se alimentar, é essencial procurar atendimento médico”, explica a nutricionista.
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Refeições nutritivas e alimentos naturais de boa procedência reduzem os impactos da ressaca e o risco de infecção intestinal | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília
Cuidado com o álcool
Outra recomendação importante é manter-se hidratado, principalmente ao consumir bebidas alcoólicas. “Intercale a ingestão de álcool com água mineral ou ainda água de coco. A desidratação potencializa os efeitos tóxicos do álcool, piorando a ressaca”, afirma Alana.
Para aliviar os sintomas do mal-estar, a nutricionista sugere o consumo de vegetais, sucos naturais e chás de gengibre, dente-de-leão, hortelã e boldo, que ajudam a reduzir as náuseas e melhoram o funcionamento do fígado.
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“Intercale a ingestão de álcool com água mineral ou ainda água de coco. A desidratação potencializa os efeitos tóxicos do álcool, piorando a ressaca”, ensina a nutricionista Alana Siqueira | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
Atenção especial às crianças
Para garantir a diversão dos pequenos, é essencial redobrar os cuidados. Fantasias leves e confortáveis garantem liberdade de movimento, e acessórios como bonés e roupas com proteção contra raios UVA e UVB são recomendados, especialmente para os bebês. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que o uso de protetor solar só é indicado após os 6 meses de idade.
O pediatra Fabrício Paz, RTD da área na SES-DF, destaca a importância de evitar a exposição ao sol nos horários de maior incidência. “O ideal é sair com as crianças antes das 10h e depois das 16h”, orienta. Em caso de insolação, recomenda-se o uso de hidratantes e ingestão reforçada de líquidos.
Para manter a hidratação infantil, ofereça bastante água (mineral e de coco) e sucos naturais. “Prefira alimentos leves e frutas ricas em água, como melão e melancia. Sempre leve uma garrafa para a criança ou compre água mineral de procedência confiável”, aconselha o pediatra.
Escolha o calçado ideal
Passar horas atrás do trio elétrico ou nos blocos de rua pode causar dores nos pés, pernas e coluna. O ortopedista Roberto Mendonça recomenda o uso de calçados confortáveis e com bom amortecimento para evitar lesões. “É importante que o folião conheça seu tipo de pisada para usar palmilhas compensatórias, se necessário. Caso contrário, o ideal é optar por um tênis macio, com boa absorção de impacto”, explica. O profissional ressalta que ficar longos períodos em pé pode causar dores na sola dos pés, na ponta dos dedos e no tendão calcâneo (calcanhar): “O uso de calçados adequados evita sobrecarga nessas regiões”.
A orientação é fazer alongamentos dos pés e das panturrilhas, além do uso de adesivos protetores para joanetes, calosidades e calcanhar, prevenindo bolhas e machucados. Se a dor aparecer, a dica do ortopedista é a aplicação de compressas frias após a folia, ajudando a aliviar o desconforto.
*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)