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Após quatro anos internado no Hospital de Base, paciente consegue vaga em abrigo

Internado há quase cinco anos no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), a terça-feira (25) foi dia de despedida para Daniel Nunes da Silva. Aos 47 anos, sem rede de apoio familiar, dois membros amputados e um dos braços paralisado, Daniel precisava de um local adequado que pudesse cuidar de pessoas com deficiência. A nova residência de Daniel agora é o Abrigo Vila do Pequenino Jesus, localizado no Lago Sul.

“Para mim, é uma vitória. Conseguir essa vaga em um local onde vão me atender e cuidar de mim vai ser bom. Já tenho um conhecido lá, que ficou internado aqui uma época”, disse. “Agora eu vou poder passear com a minha cadeira motorizada”, referindo-se ao presente que ganhou da terapeuta ocupacional do HBDF, Mariana Borges.

Daniel Nunes da Silva: “Conseguir essa vaga em um local onde vão me atender e cuidar de mim vai ser bom” | Foto: Divulgação/IgesDF

De acordo com Érica Tedesque, chefe do serviço social do Hospital de Base, depois de diversos encaminhamentos em busca por uma desospitalização segura de Daniel, foram iniciadas as tentativas por uma vaga em acolhimento institucional para pessoas com deficiência. “Ao longo dos anos, Daniel foi avaliado por diversas instituições credenciadas na Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF), mas enfrentou obstáculos para a admissão, muitas vezes devido ao seu quadro de saúde”, explica.

Segundo Érica, em uma das últimas avaliações, a presença de bactérias multirresistentes foi um fator impeditivo. “As negativas não desmotivaram nossa busca e continuamos trabalhando ativamente para possibilitar que Daniel tivesse a oportunidade de retornar ao ambiente fora do hospital”, declarou.

Foram realizadas diversas tratativas internas e externas, com o envolvimento de muitas áreas do hospital, como a equipe multiprofissional e a equipe médica, juntamente com o Núcleo Interno de Regulação (NIR) e a atuação fundamental dos profissionais do serviço social.

Durante esses quatro anos, Daniel foi acolhido pela equipe do 6º andar, que se tornou uma espécie de família para ele

De acordo com Taciana Sepúlveda, responsável pelo NIR, Daniel foi um dos pacientes que entraram logo no radar da área, que foi criada com o propósito de acompanhar e resolver a situação de pacientes com longa internação.

“Até dezembro de 2024, o NIR acompanhava pacientes que estivessem acima de 30 dias de internação nas enfermarias do HBDF. O foco é na desospitalização, garantindo uma alta segura e qualificada, onde o paciente vai receber toda a assistência necessária”, explica. De acordo com ela, a partir de janeiro deste ano, o NIR passou a fazer o monitoramento dos pacientes já a partir de 10 dias de internação, inclusive os internados no Pronto Socorro.

“Fizemos diversas ações com a infectologia do HBDF e com o apoio do serviço social. Em conversa com o infectologista e chefe do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar (NCIH), Julival Ribeiro, o NIR fez uma solicitação de parecer para a infectologia da Secretaria de Saúde ”, lembra Taciana.

Porém, enquanto isso era providenciado, saiu o resultado de um novo exame que comprovava que o paciente não tinha nenhuma infecção. “Como o contato com o abrigo já havia sido formalizado pelo serviço social, levamos em frente a sua transferência”, conta Taciana.

Uma vida de dificuldades

Daniel deu entrada no Hospital de Base em 18 de junho de 2020, vítima de perfuração por arma branca na região torácica. Submetido a procedimento de urgência, ele acabou sofrendo duas paradas cardiorrespiratórias e evoluiu com uma lesão cerebral. A piora acabou levando à necessidade de amputação dos membros inferiores e, devido à extensão dos traumas sofridos, também foi necessário realizar um procedimento de ileostomia, cirurgia que cria uma abertura no abdômen para desviar o fluxo do intestino delgado.

Depois de passar um tempo na UTI, Daniel apresentou melhora do quadro de saúde e foi transferido para a enfermaria da cirurgia geral no 6º andar do Hospital de Base. Durante esse período, sua saúde teve altos e baixos, o que sempre tornava impossível a aceitação em um abrigo.

Daniel, natural de Tapera (RS), solteiro e sem filhos, tem três irmãos, mas não mantém vínculo próximo com nenhum deles. “Chegamos a mapear essa rede de apoio e realizar alguns contatos, mas não tivemos sucesso nessa iniciativa. Daniel estava em situação de rua há cerca de dois anos quando foi internado. Na ocasião da internação, não possuía documentos pessoais, nem mantinha contato com seus familiares”, conta Érica Tedesque.

Durante esses quatro anos, Daniel foi acolhido pela equipe do 6º andar, que se tornou uma espécie de família para ele. Ele manteve uma boa relação e vinculação com todos os profissionais. Por isso, durante a sua despedida, muitos colaboradores se emocionaram e queriam registrar o momento com fotografias e vídeos. Cartazes com mensagens de apoio foram produzidos pelos profissionais.

Carla Vargas Cabral, assistente social do Hospital de Base acompanhou o caso de Daniel e foi uma das responsáveis por conseguir a vaga dele no Vila Pequenino Jesus. “Quando recebemos a notícia que o Daniel seria acolhido, a equipe vibrou, ficamos muito felizes, porque era uma grande espera por todos nós. Não apenas pelo Daniel, mas por toda a equipe que vinha acompanhando e realizando todas as intervenções”, disse.

Segundo Carla, a desospitalização do Daniel foi resultado de um trabalho em equipe. “Cada um contribuiu dentro da sua especialidade. Sou muito grata a todos, que sempre acreditaram, junto comigo, que seria possível”.

*Com informações do IgesDF

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