Início BRASÍLIA E SUAS CIDADES SATÉLITES Coren-DF vai investigar conduta de técnica que quebrou braço de menina

Coren-DF vai investigar conduta de técnica que quebrou braço de menina

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) afirmou que vai abrir uma investigação para apurar a conduta da técnica de enfermagem que agrediu uma menina de 10 anos acamada.

Fernanda Aparecida da Conceição Borges (foto em destaque), de 25 anos, foi filmada quebrando o braço da garotinha, que é paciente de home care, na última sexta-feira (21/2).

A agressora possui registro de técnica ativo no Coren-DF desde junho do ano passado. De acordo com o órgão, o processo tramitará em sigilo, conforme previsto no Código de Ética da Enfermagem, até a conclusão das investigações e do julgamento ético-disciplinar. Todos os envolvidos no caso serão ouvidos.

“O Coren-DF reitera seu compromisso com a ética e a integridade na profissão, assegurando que todas as medidas necessárias serão tomadas para garantir o correto andamento do processo e, no caso da comprovação da infração, aplicar as sanções cabíveis”, informou.

A criminosa trabalhou por aproximadamente seis meses como uma das cuidadoras da criança. Por temer que algo pudesse estar acontecendo com a filha, a mãe decidiu instalar câmeras de segurança pela residência, uma delas no quarto da menina.

“Minha filha não verbaliza e, também, não chora. Então ela não conseguia demonstrar que estava sendo agredida ou machucada. Por conta do autismo, ela se automutila e se debate, não sabíamos se os hematomas eram decorrentes desses episódios ou se seriam de agressões vindas da cuidadora”, explica a mulher.

Os flagrantes das agressões aconteceram entre a última quinta e sexta-feira (21/2), na maioria deles enquanto a menina dormia. Diariamente, a mãe olhava as filmagens em que o quarto da filha estava com a luz acesa, pois não imaginava que essas agressões ocorriam durante o sono.

Veja as agressões:

 

Imagens às quais a reportagem teve acesso mostram o momento em que Fernanda deita a criança puxando pelo pescoço e dá um murro nos joelhos dela. Em seguida, cobre o rosto da menina com um pano e, por fim, torce um dos braços da garotinha, quando ocorre a fratura. A ação ocorreu na sexta-feira.

Em outra gravação, a técnica de enfermagem dá um tapa no rosto da menina. Já em outro momento, a criminosa puxa a orelha da criança e enche a boca dela de gases, até a vítima não conseguir fechar os lábios. “Ela fez isso para que minha filha não babasse, e não precisasse ficar limpando”, comenta a mãe.

Veja fotos de Fernanda: 

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Braço fraturado

Na madrugada de sábado (22/2), a mãe percebeu a fratura no braço da menina, após o membro ficar completamente inchado e vermelho. “Precisamos acionar uma ambulância para levá-la ao hospital. Na unidade, os profissionais constataram que ela estava com o braço quebrado e tinha fraturas em diversas articulações do corpo, que já estavam se recuperando, então eram de agressões anteriores”, diz.

Horas depois de fraturar o braço da menina, quando finalizou o plantão na noite de sexta, a cuidadora juntou os pertences dela e sumiu, tendo entregue a escala para a cooperativa que a contratou. Depois, demitiu-se. Ela também bloqueou contato telefônico com a família da vítima e com os ex-colegas de trabalho.

A menina precisou ficar internada no hospital durante o fim de semana, mas já recebeu alta para continuar o tratamento em casa. O caso foi registrado como lesão corporal na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro). A Polícia Civil do DF apura os fatos.

Síndrome rara

A mãe da garotinha contratou o home care por meio do plano de saúde. A empresa, por sua vez, designou serviço terceirizado, prestado por cooperativa, para cuidar da menina.

A criança nasceu com a síndrome de Moebius, um distúrbio neurológico que afeta os nervos cranianos que controlam os músculos da face e dos olhos. A condição leva à deficiência motora do rosto, resultando em pouca expressividade facial.

“Por conta da síndrome, minha filha desenvolveu outras anomalias. Ela também é autista nível quatro de suporte, considerado o mais grave dentro do espectro. Ela não fala, não anda e não come. Então, é 100% dependente dos cuidados de terceiros. Uma criança indefesa”, relata a mãe da menina, que terá a identidade preservada.

Fernanda e outras quatro enfermeiras da cooperativa se revezavam em turno de 12 horas na residência da família. Na prática, a técnica de enfermagem ficava cerca de quatro dias seguidos cuidando da menin na parte do dia.

Porém, há cerca de um mês, a mãe da criança começou a desconfiar da competência de Fernanda e solicitou a substituição dela, mas não obteve sucesso.

Nesse período, ela observou hematomas na filha, alguns deles sinalizados pelas outras profissionais que constaram as lesões antes de iniciar seus plantões. À época, uma médica da equipe também alertou a mãe sobre o comportamento diferente da criança.

Metrópoles entrou em contato com a técnica de enfermagem pelas redes sociais, mas até a última atualização desta reportagem Fernanda não havia retornado. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

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