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Polícia retoma controle de prisão no Equador após massacre que deixou 118 mortos

A polícia anunciou na quinta-feira (30) ter retomado o controle da Penitenciaria del Litoral, em Guayaquil, dois dias após o início de uma rebelião que deixou ao menos 118 presos mortos no Equador — um dos piores massacres penitenciários da história da América Latina.

“Tudo está tranquilo, eles [os presos] estão nas celas. Os pavilhões não estão tomados por eles”, afirmou a comandante da polícia, a general Tannya Varela. “Os pavilhões não estão tomados. Estamos entrando no local normalmente”.

O governo do presidente Guillermo Lasso declarou estado de exceção no sistema penitenciário do país na quarta-feira (29), e a general liderou uma operação com 900 agentes de segurança para retomar o controle da prisão.

O motim estourou na terça-feira (28), quando presidiários de gangues rivais, ligadas ao narcotráfico do México, entraram em confronto usando armas de fogo.
Segundo a imprensa local, o confronto começou após presos de uma gangue comemoravam o aniversário de um de seus líderes detidos e se gabaram de ter o controle da prisão, o que iniciou o conflito com gangues rivais que estão em outros pavilhões.

Seis dos 118 presos mortos foram decapitados, e outros 86 ficaram feridos — além de dois policiais. Foram apreendidas três pistolas, 435 munições, 25 armas brancas e três artefatos explosivos, segundo a polícia.

Tanques e soldados estão posicionados ao redor da prisão, e centenas de familiares buscam desesperadamente por informações sobre seus parentes.

“Dizem que tem gente que teve a cabeça arrancada”, disse Juana Pinto, que espera impacientemente para saber sobre o seu filho preso, à agência de notícias France Presse. “É uma coisa muito dolorosa”.

Várias centenas de parentes também estão em frente ao necrotério da polícia.

“O meu filho só tinha mais 15 dias para ficar livre. Vim porque vi um vídeo, que me enviaram por celular, no qual reconheci a sua cabeça”, lamentou Ermes Duarte, de 71 anos, que mora na vila rural de Salitre.

“Queremos saber algo sobre ele. Ele estava no pavilhão 6, onde dizem que foram lançadas duas bombas”, afirmou Mercedes Moreira, de 33 anos, que buscava informações sobre o irmão Darwin.

Crise carcerária

Com falta de guardas, corrupção, violência e uma superlotação de 30%, o Equador sofre uma crise carcerária há vários anos.

Antes deste motim, 120 presos já haviam sido mortos em 2021 — sendo 79 apenas em fevereiro, em distúrbios simultâneos em quatro prisões de Guayaquil e mais duas cidades. Outros 103 assassinatos ocorreram nos presídios do país em 2020.

“Na América Latina, infelizmente, nos tornamos o país com o maior massacre carcerário nos últimos anos, acima do Brasil e a Venezuela”, afirma o equatoriano Freddy Rivera, especialista em segurança e tráfico de drogas.

Controle das prisões

Um terço dos 39 mil presidiários do Equador estão em Guayaquil, em um grande complexo prisional vigiado por 1,5 mil guardas (3 mil a menos do que o necessário, segundo especialistas). O país inteiro tem 65 presídios, e um terço da população carcerária está ligada ao narcotráfico.

“Tomaram as prisões do país e estão tentando enviar assim uma mensagem ao Estado de que são mais fortes do que o Estado de Direito”, afirma a advogada Itania Villarreal, ex-diretora do órgão encarregado das prisões. “O sistema penitenciário entrou em colapso”.
O diretor do Centro de Inteligência Estratégica do governo, Fausto Cobo, admitiu que os massacres nas prisões são “uma ameaça ao Estado”, pois os responsáveis têm “um poder igual ou superior ao do próprio Estado”.

Cartéis mexicanos

A recente carnificina tem origem na disputa pelo poder entre gangues a serviço do tráfico internacional. Duas delas, com cerca de 20 mil membros, têm vínculos com os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração.

Rivera, professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) de Quito, diz que os presos também têm conexões com organizações criminosas da Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína.

Segundo o especialista, as prisões equatorianas se converteram em “comandos centrais do crime”, de onde se planejam, articulam, corrompem e ordenam atividades criminosas.

Importância do Equador

Rivera também destaca que a guerra pelo poder também se deve ao fato de o Equador ser “estratégico” para os criminosos por ter uma economia dolarizada e cinco portos marítimos.

Também existe no país “uma enorme fragilidade institucional, permeada pela corrupção e infiltração do crime organizado nas instituições de segurança, justiça e penitenciárias”, afirma o professor.

Cerca de 116 toneladas de drogas foram apreendidas no Equador entre janeiro e agosto deste ano (principalmente cocaína), contra um recorde de 128 toneladas em todo o ano de 2020.

Fonte: G1.

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